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27.jun
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Thaina Guimarães / Vida sem proteína do leite de vaca

Olá! Meu nome é Thaina Guimarães, tenho 34 anos, sou administradora de empresas, nascida em Campinas – SP e me mudei para Belo Horizonte em 2007. Atualmente resido nos EUA. Não sou vegetariana, nem vegana, mas tive uma experiência alimentar devido ao nascimento de minha filha – que era alérgica a leite (APLV – http://www.alergiaaoleitedevaca.com.br/entenda-alergia).

Quando nossa filhinha nasceu (há 10 meses), nós optamos pela amamentação exclusiva no peito. No entanto ela apresentava sintomas de irritabilidade na hora de mamar e outros sintomas como a diarreia, muco aparente e sangue oculto nas fezes. Ao consultar a pediatra, ela suspeitou da alergia à proteína do leite de vaca (APLV) e recomendou o tratamento por dieta de exclusão – dieta isenta de alimentos que possuem a proteína.

Como eu estava amamentando, a dieta era para mim – eu não podia ingerir nenhum alimento com leite de vaca para que a proteína não passasse para o meu leite materno e, consequentemente, para a nossa filha. A outra opção era o leite sintético, mas naquele momento eu optei por não desmamá-la e por seguir à risca a dieta de exclusão.

Aqui nos EUA não é difícil encontrar substitutos para os alimentos que levam leite. Existem muitas opções, inclusive supermercados inteiros que optam por uma linha mais natural. Uma dificuldade grande foi que na maioria das vezes o substituto principal do leite de vaca é a soja e muitos bebes que são alérgicos a PLV são também à soja. Graças a Deus esse não foi o caso, então pude utilizar os produtos de soja normalmente.

As dificuldades foram maiores no início, pois tudo o que eu ia comer ou comprar, eu precisava ler as bulas para saber se tinha leite. Nos restaurantes a mesma coisa: tudo tinha que ser preparado com água, ao invés do leite. A parte social foi também difícil no início, pois naturalmente eu não podia comer de tudo em todas as ocasiões. As pessoas não estavam acostumadas e muitas vezes não lembravam (claro – quem tinha que lembrar era eu, rsss). No começo eu me sentia um pouco inconveniente com as minhas perguntas “isso leva leite?”; mas o meu foco era nossa filha e a motivação por detrás era muito maior que minha preocupação em me sentir inconveniente. Tudo era para o bem-estar de nossa bebê.

TIVE O APOIO INCONDICIONAL DE MEU ESPOSO E FAMÍLIA. Meu marido aprendeu a comprar os produtos que eu comia e não se importava em irmos em supermercados diferentes várias vezes na semana. Com o tempo, até os amigos mais próximos se acostumaram e quando me convidavam para comer, preparavam algumas coisinhas sem leite, rss. Eu também levava comida nos “junta-panelas” com os amigos, para poder ajudar, pois para quem não estava acostumado, não é fácil – rapidamente notei que MUITA coisa leva leite em sua composição. Com o tempo tudo se ajustou e eu não tive mais dificuldades em seguir a minha dieta.

Os benefícios em minha vida foram que primeiramente a nossa filha mudou completamente o comportamento. A medida que a PLV limpou do meu organismo (levou cerca de 2 meses), ela não teve mais diarreia e a irritabilidade passou. Ela também passou a dormir durante a noite inteira, sem acordar para mamar. Segundo a pediatra, isso pode estar relacionado ao fato de que sendo alérgica, ao consumir o leite, os “tentáculos” responsáveis por absorver certos nutrientes, estavam morrendo e ela sentia fome mais rápido. Ao eliminar o leite do organismo dela, ela passou a absorver melhor os nutrientes e não precisava acordar para mamar.

Outro benefício foi a perda de peso. Em menos de 3 meses eu perdi todos os quilos que ganhei na gravidez e outros mais. Antes de engravidar, pesava 61kg. Agora peso 53. Isso não é só por causa do leite, mas sim por tudo o que está relacionado a ele. A maioria dos alimentos que contém o leite de vaca também tem açúcar ou são altamente calóricos. Então uma coisa puxou a outra (bolos, cookies, sorvete, especialmente o queijo, molho branco, certos pães brancos etc.). Os substitutos eram sempre veganos, e por consequência, de menor teor calórico.

Eu atualmente não sou vegetariana. Eu continuei com a proteína animal (só não o leite de vaca). Depois de 10 meses, nossa filhinha está curada da alergia. Futuramente eu desejo efetuar nova alteração alimentar, com menos ou nenhuma carne. O motivo é que quando vivi no IAP (colégio Adventista em regime de internato), me acostumei com a dieta sem carne e nunca senti falta. Acredito sim que uma dieta com mais frutas e vegetais seja mais saudável para mim e minha família e seja tão importante quanto o exercício físico. O objetivo é a melhora de nossa saúde e bem-estar.

Algumas dicas que posso dar para quem optar por essa dieta, ou tiver um caso parecido:

– Não tente comparar o sabor do substituto com o sabor dos outros produtos. Nem sempre serão iguais, mas existem produtos substitutos que são muito gostosos por si só – sem a necessidade de ter o sabor parecido com o produto que leva leite. Exemplo: eu encontrei muffins veganos mais gostosos que os originais.

– Tudo é um processo – nem o paladar vai mudar de uma hora para outra, nem o seu peso, nem sua saúde, nem os resultados. Tenha paciência pois eles virão. Um dia de cada vez.

– Apesar de no meu caso eu ter sido BEM radical (por conta do bem-estar de nossa filha), talvez no início você não precise se cobrar tanto. Vá gradativamente e tudo vai se resolvendo.

– Peça ajuda incondicional à Deus – ele SEMPRE estará ao seu lado e te ajudará em tudo o que você vai precisar.

– Informe-se a respeito de como repor o cálcio (pela falta do leite), especialmente para as mulheres. Esse tema precisa ser observado com cuidado para não causar uma deficiência. Mudar a alimentação é algo importante e se não for feito da forma correta e balanceada, pode ter consequências negativas. Procure um profissional do ramo, sempre que possível, para acompanhamento.

– Informe-se muito, com fontes confiáveis. Assista e leia o blog do Viverdequê?. Tem muita receita bacana!

– Não dê ouvido às pessoas que possam te desencorajar – dê ouvido às que gostam de você! As últimas estarão ao seu lado independente do que você escolher como melhor para você e sua família.

– Não se constranja – não se preocupe em “arrumar desculpas” para a sua decisão. Como diria o ditado: “os inimigos não te entenderão e os amigos não precisam delas”.

 




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Débora Campos - autora
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